Quem começa a pesquisar terapia logo encontra duas siglas lado a lado: TCC e ACT. Muita gente se pergunta se são a mesma coisa, se uma é melhor que a outra e qual escolher. A resposta curta é que elas têm origem comum, compartilham muita coisa e se diferenciam principalmente na forma de lidar com pensamentos e emoções difíceis.
O que é a TCC?
A Terapia Cognitivo-Comportamental parte da ideia de que a forma como interpretamos as situações influencia o que sentimos e como agimos. Se alguém interpreta um olhar do chefe como sinal de que "vai ser demitida", a ansiedade sobe e o comportamento muda: evita falar, confere tudo várias vezes, perde o sono. Na TCC, o trabalho costuma envolver identificar esses pensamentos, avaliar com cuidado o quanto eles se sustentam nos fatos e testar novas respostas, tanto no raciocínio quanto no comportamento.
O que é a ACT?
A Terapia de Aceitação e Compromisso faz parte do que se chama de terapias contextuais, uma geração que nasceu a partir da tradição comportamental. Em vez de focar em mudar o conteúdo dos pensamentos, a ACT propõe mudar a relação com eles. A pergunta central deixa de ser "esse pensamento é verdadeiro?" e passa a ser "o que eu faço com ele, e isso me aproxima ou me afasta do que importa para mim?". Ela trabalha com aceitação do desconforto, atenção ao momento presente, distanciamento dos pensamentos e ação guiada por valores.
No que se parecem
As duas abordagens são estruturadas, têm foco no presente, trabalham com objetivos combinados entre terapeuta e paciente e usam exercícios práticos entre as sessões. Também têm pesquisa científica que sustenta seu uso em diferentes demandas, como ansiedade e sobrecarga emocional. Por isso é comum que uma terapeuta use recursos das duas, de acordo com o que faz sentido para cada pessoa.
Onde estão as principais diferenças
Com o pensamento difícil. A TCC tende a examiná-lo e reavaliá-lo. A ACT tende a observá-lo sem brigar com ele, aprendendo a agir mesmo com ele presente.
Com o desconforto. Na TCC, reduzir o sofrimento é frequentemente um objetivo direto. Na ACT, o foco é ampliar a capacidade de conviver com o desconforto necessário para viver o que é importante.
Com os valores. A ACT coloca os valores pessoais no centro do processo. A TCC também considera objetivos e valores, mas costuma organizar o trabalho em torno de problemas e sintomas específicos.
Qual é melhor para mim?
Não existe uma resposta única. Algumas pessoas se identificam mais com a clareza e a objetividade da TCC, principalmente quando há pensamentos muito rígidos ou comportamentos de evitação para trabalhar. Outras se beneficiam mais da ACT quando a luta contra os próprios pensamentos e emoções virou parte do problema, ou quando existe uma sensação de estar vivendo no automático, distante do que importa. Na prática, o que mais pesa é a sua demanda, o seu momento e a relação de confiança com quem conduz a terapia.
O que esperar ao procurar uma terapeuta
Uma boa psicóloga explica como pretende trabalhar, combina objetivos com você e ajusta o caminho ao longo do processo. Vale perguntar na primeira conversa como ela conduz o trabalho e como vocês vão perceber se está funcionando. Também é importante conferir o registro profissional no Conselho Regional de Psicologia.
Entender as siglas ajuda a fazer uma escolha mais tranquila, mas o ponto de partida é sempre o mesmo: o que você está vivendo e o que você quer mudar. A partir daí, a abordagem serve a você, e não o contrário.
Com carinho, Carla Gabrielle Thomas
Carla Gabrielle Thomas é psicóloga (CRP 07/32377), Mestre em Psicologia e Saúde pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), com formação em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Atende adultos, 100% online.