Se o seu coração já acelerou sem motivo aparente, ou a sua mente já girou em pensamentos que não paravam, isto também é o seu corpo tentando cuidar de você. Não é defeito. É um mecanismo antigo, só que às vezes ele exagera.

O que é a ansiedade?

Ansiedade é a sensação de alerta que o corpo produz diante de algo incerto ou ameaçador. Ela existe em todo ser humano — em doses normais, é só o corpo se preparando. Esse alarme é antigo: ajudou nossos ancestrais a fugir de perigos reais. Hoje, o perigo raramente é físico, mas o alarme ainda dispara do mesmo jeito diante de um e-mail difícil, uma apresentação ou uma notícia incerta.

Como ela aparece no corpo e na mente?

No corpo: coração acelerado, respiração curta, ombros tensos, mãos frias ou suadas. É o corpo se preparando para agir, mesmo quando não há nada para enfrentar.

Nos pensamentos: a mente começa a prever o pior — "e se der errado?", "e se eu não conseguir?". Esses pensamentos parecem fatos, mas na maioria das vezes são só hipóteses.

Isso é normal ou já é demais?

Ansiedade normal vai e volta. Ajuda a focar e passa quando a situação passa. Quando ela fica constante e atrapalha o sono, o corpo ou as escolhas do dia, está pesando mais do que deveria — e vale a pena buscar apoio.

O que ajuda, na prática?

Dar nome ao que sente. Quando o alarme tocar, diga para si mesma: "isto é ansiedade." Nomear o que sente já reduz a intensidade dele.

Respirar em quatro tempos. Inspire contando até 4, segure por 2, solte o ar contando até 6. Repita três vezes. A respiração lenta avisa o corpo que o perigo passou.

Voltar para o agora. Olhe em volta e nomeie: 5 coisas que você vê, 4 que você ouve, 3 que sente no corpo. Isso ajuda a mente a saltar da preocupação para o presente.

Questionar o pensamento. Um pensamento ansioso é uma possibilidade, não uma garantia. Pergunte-se: "isso é o que vai acontecer, ou é o que estou temendo que aconteça?" Olhar para o seu próprio histórico costuma mostrar que você atravessa mais do que teme.

Não evitar por completo. Fugir do que assusta alivia por um momento, mas ensina à mente que aquilo era perigoso mesmo — e o alarme fica mais sensível na próxima vez. Você não precisa enfrentar tudo de uma vez: escolha o menor passo possível em direção ao que te assusta.

Cuidar da base. Sono insuficiente deixa o alarme mais fácil de disparar. Movimentar o corpo gasta a energia que a ansiedade represa. Cafeína, energéticos e excesso de telas podem deixar o corpo mais alerta do que o necessário.

Falar com alguém. Contar o que você sente para uma pessoa de confiança alivia o peso de carregar isso em silêncio. Você não precisa enfrentar a ansiedade sozinha.

Preciso zerar a ansiedade?

Não. Ela sempre vai aparecer um pouco, isso é humano. A meta é ouvir o alarme sem deixar que ele dirija a sua vida — e isso não acontece de uma vez: acontece em repetição, com paciência consigo mesma.

Se a ansiedade está presente na maioria dos dias, há muitas semanas, e limita a sua vida, procurar um psicólogo é um passo de cuidado, não de fraqueza.

Com carinho, Carla Thomas