Autoestima é um dos temas mais mal-entendidos da psicologia popular. Muita gente pensa nela como sinônimo de vaidade, ou como aquele tipo de confiança que "algumas pessoas têm e outras não". Mas autoestima é outra coisa: é a forma como você avalia o seu próprio valor, independentemente do que os outros pensam ou do que você conquistou. E, como qualquer avaliação, ela pode ser mais ou menos precisa — e pode ser trabalhada.

De onde vem a autoestima

Pesquisas em psicologia mostram que a autoestima se apoia em alguns pilares bem concretos: como você se trata quando erra, se você age de acordo com os seus próprios valores, se você se sente capaz de lidar com os desafios da vida, e se você se permite ser exatamente quem é, sem precisar performar uma versão editada de si mesma.

Autoestima baixa raramente é sobre "não ter motivos" para se gostar. Na maioria das vezes, é sobre um crítico interno muito alto — aquela voz que aponta falhas, compara e nunca reconhece o que foi feito bem.

O crítico interno não é a verdade

Um dos achados mais consistentes da terapia cognitivo-comportamental é que os pensamentos que temos sobre nós mesmos não são fatos — são interpretações, e interpretações podem ser tendenciosas. Quem tem autoestima baixa costuma filtrar as próprias conquistas ("foi sorte", "qualquer um faria") e ampliar os próprios erros ("isso prova que eu sou incapaz").

Perceber esse padrão já é um primeiro passo. Da próxima vez que a voz interna disser algo duro sobre você, vale perguntar: eu diria isso para uma amiga que está passando pelo mesmo? Se a resposta for não, isso já é um sinal de que o crítico interno está exagerando.

Autocompaixão não é se poupar

Existe a ideia de que ser dura consigo mesma é o que mantém a disciplina e o desempenho. Mas a pesquisa sobre autocompaixão mostra o contrário: pessoas que conseguem se tratar com gentileza diante dos próprios erros se recuperam mais rápido e tentam de novo com mais frequência do que pessoas que se punem.

Autocompaixão tem três partes: reconhecer o sofrimento sem exagerar nem minimizar, lembrar que errar e sofrer faz parte de ser humano — não é só você —, e escolher uma resposta gentil em vez de uma resposta punitiva.

O que ajuda, na prática

  • Perceba quando o crítico interno está falando, e dê um nome a isso: "isso é a voz crítica, não é a verdade toda."
  • Registre pequenas conquistas do dia, mesmo as óbvias. O crítico interno tende a apagá-las da memória.
  • Trate-se como trataria alguém que você ama, especialmente nos momentos de erro.
  • Aja de acordo com os seus valores, não de acordo com o que acha que os outros esperam de você.
  • Comparar-se constantemente com os outros alimenta a autoestima baixa — perceba quando você entra nesse padrão.

Autoestima não se constrói da noite para o dia, e não depende de eliminar todo pensamento negativo sobre si mesma. Ela se constrói na repetição de pequenos gestos de cuidado e de reconhecimento, até que a voz gentil fique um pouco mais forte que a voz crítica.

Se esse tema te atravessa de um jeito mais profundo, terapia pode ajudar a entender de onde vêm essas crenças sobre o seu valor e como começar a mudá-las.

Com carinho, Carla Thomas